CONTO de Ernest Hemingway. Tradução: Luís Antônio Albiero (adaptações a partir do Google Tradutor)
Luís Antônio Albiero
mar 08, 2026
Havia apenas dois americanos hospedados no hotel. Eles não conheciam nenhuma das pessoas com as quais cruzavam nas escadas, no caminho de ida e volta para o quarto.
O quarto deles ficava no segundo andar, de frente para o mar. Também ficava de frente para o jardim público e para o monumento da guerra. Havia palmeiras grandes e bancos verdes no jardim público.
Quando fazia bom tempo, havia sempre um artista com seu cavalete. Os artistas gostavam da maneira como as palmeiras cresciam e das cores brilhantes dos hotéis defronte os jardins e o mar. Italianos vinham de muito longe para apreciar o monumento da guerra. Era feito de bronze e brilhava na chuva. Estava chovendo. A chuva gotejava das palmeiras.
A água formava poças nos caminhos de cascalho. O mar quebrava em uma longa linha na chuva e deslizava de volta pela praia para subir e quebrar novamente em uma longa linha na chuva. Os automóveis tinham desaparecido da praça ao lado do monumento da guerra. Do outro lado da praça, um garçom parado na porta do café olhava para a praça vazia.
A esposa americana estava na janela, olhando para fora. Lá fora, bem embaixo da janela, uma gata estava agachada sob uma das mesas verdes, das quais pingava água. A gata tentava se encolher o máximo possível para não ser atingida pelas gotas.
“Vou descer e pegar aquele gatinho”, disse a esposa americana.
“Eu faço isso”, ofereceu-se o marido, da cama.
“Não, eu pego. O pobre gatinho lá fora, tentando se manter seco debaixo da mesa.”
O marido continuou lendo, deitado com apoio em dois travesseiros aos pés da cama.
“Não vá se molhar”, disse ele.
A esposa desceu as escadas e o dono do hotel levantou-se e curvou-se quando ela passou pelo escritório. Sua mesa ficava no fundo do escritório. Ele era um homem idoso e muito alto.
“Il piove”, disse a esposa. Ela gostava do dono do hotel.
“Si, si, signora, brutto tempo. Está muito ruim o tempo.”
Ele estava em pé atrás da sua mesa, no fundo da sala pouco iluminada. A esposa gostava dele. Gostava da extrema seriedade com que ele recebia qualquer reclamação. Gostava da sua dignidade. Gostava do jeito como ele queria servi-la. Gostava do jeito como ele se sentia sendo hoteleiro. Gostava do seu rosto envelhecido e pesado e das suas mãos grandes.
Curtindo-o, ela abriu a porta e olhou para fora. Chovia mais forte. Um homem com uma capa de borracha atravessava a praça vazia em direção ao café. A gata estaria por ali, à direita. Talvez pudesse seguir por baixo do beiral. Enquanto estava parada na porta, um guarda-chuva se abriu atrás de si. Era a camareira que cuidava do quarto deles.
“Você não pode se molhar”, ela sorriu, falando em italiano. Claro, o dono do hotel a havia enviado.
Com a camareira segurando-lhe o guarda-chuva, ela caminhou pela trilha de cascalho até chegar à janela. A mesa estava lá, lavada de verde brilhante pela chuva, mas a gata havia sumido. De repente, sentiu-se decepcionada. A camareira olhou para ela.
“Ha perduto qualque cosa, signora?”
“Havia um gato”, disse a garota americana.
“Um gato?”
“Si, il gatto.”
“Um gato?”, riu a camareira. “Um gato na chuva?”
“Sim”, disse ela, “debaixo da mesa”. Depois, “Ah, eu o queria tanto. Eu queria um gatinho”.
Quando ela falou em inglês, o rosto da camareira se contraiu.
“Vamos, Signora”, disse ela. “Precisamos voltar para dentro. A senhora vai se molhar.”
“Acho que sim”, disse a garota americana.
Elas voltaram pelo caminho de cascalho e entraram pela porta. A camareira ficou do lado de fora para fechar o guarda-chuva. Quando a garota americana passou pelo escritório, o padrone curvou-se da sua mesa. Algo se sentiu muito pequeno e apertado no íntimo da moça. O padrone a fazia se sentir muito pequena e, ao mesmo tempo, realmente importante. Ela teve uma sensação momentânea de ser alguém de suprema importância. Subiu as escadas. Abriu a porta do quarto. George estava na cama, lendo.
“Conseguiu pegar o gato?”, perguntou ele, largando o livro.
“Tinha desaparecido.”
“Onde será que foi parar”, disse ele, fechando os olhos da leitura.
Ela se sentou na cama.
“Eu o queria muito”, disse ela. “Não sei por que eu o queria tanto. Eu queria aquele pobre gatinho. Não é nada divertido ser um pobre gatinho na chuva.”
George estava lendo novamente.
Ela foi até a penteadeira e sentou-se em frente ao espelho, observando-se com o espelhinho de mão. Examinou seu perfil, primeiro de um lado e depois do outro. Em seguida, observou a nuca e o pescoço.
“Você não acha que seria uma boa ideia se eu deixasse meu cabelo crescer?”, perguntou ela, olhando novamente para seu perfil.
George olhou para cima e viu-lhe a nuca, o cabelo cortado rente como de um menino.
“Gosto dele do jeito que está.”
“Estou tão cansada dele”, disse ela. “Estou tão cansada de parecer um menino.”
George mudou de posição na cama. Ele não havia desviado o olhar dela desde que ela havia começado a falar.
“Você está bonita p’ra caramba”, disse ele.
Ela colocou o espelho sobre a cômoda, foi até a janela e olhou para fora. Estava escurecendo.
“Quero prender meu cabelo bem firme e alisado, fazendo um nó grande na nuca, que eu possa sentir”, disse ela. “Quero ter uma gatinha para sentar no meu colo e ronronar quando eu a acariciar.”
“É mesmo?”, disse George da cama.
“E eu quero comer em uma mesa com meus próprios talheres de prata e quero velas. E quero que seja primavera e quero pentear meu cabelo em frente a um espelho e quero uma gatinha e quero roupas novas.”
“Oh, cale-se e vá ler alguma coisa”, disse George. Ele estava lendo novamente.
Sua esposa estava olhando pela janela. Já estava bastante escuro e ainda chovia nas palmeiras.
“De qualquer forma, eu quero uma gata”, disse ela, “eu quero uma gata. Eu quero uma gata agora. Se eu não puder ter cabelo comprido ou alguma diversão, posso ter uma gata.”
George não estava prestando atenção. Ele estava lendo seu livro. Sua esposa olhou pela janela a praça onde a luz havia se acendido.
Alguém bateu à porta.
“Avanti”, disse George. Ele olhou por cima do livro.
Na porta estava a camareira. Ela segurava uma grande gata de pelagem casco de tartaruga, que trazia bem junto ao corpo, e a balançava contra si.
“Com licença”, disse ela, “o padrone pediu-me para trazer isto para a Signora”.
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