Bem-vindo(a) ao Casa Literária de Luís Antônio Albiero Não reconhece este remetente? Cancele a assinatura com um clique Luís Antônio Albiero importou recentemente seu endereço de e-mail de outra plataforma para o Substack. Agora, receberá os posts por e-mail ou pelo App Substack. Para configurar seu perfil e descobrir mais no Substack, clique aqui Hoje seria dia de eu comemorar exatos trinta anos de profissão, mas o calendário gregoriano engoliu a minha data e me deixou assim, pendurado na brocha, sem escada, sem folhinha para rasgar. Em 29 de fevereiro de 1988 deu-se minha inscrição nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil. Lá nos primórdios calculei que aos vinte anos de carreira eu estaria rico. Profissional bissexto nos ganhos, três décadas depois o cálculo continua o mesmo, só se deslocou no tempo o marco zero, que passa a ser o dia de hoje. Enfim, a cada dia renova-se a velha e imortal esperança! A diferença é que inicio um novo período marcado já por rica experiência. Como advogado, sou anterior à Constituição Federal, quase contemporâneo. Acompanhei nos bancos da faculdade o desenrolar da assembleia nacional constituinte, que, naquele mesmo ano, em 5 de outubro, viria a conceber a tal “Carta Magna”, a que o saudoso Ulysses Guimarães ousou chamar de ”Constituição Cidadã”, tais as conquistas prometidas em favor da cidadania nacional. De Lula a Mário Covas, passando pelo próprio Doutor Ulysses, a Constituição brasileira de 1988 foi concebida por muita gente séria. A despeito de um perfil conservador, mais inclinado à centro-direita, aquele congresso constituinte soube elaborar uma carta política francamente progressista, das mais avançadas do mundo. Lá estavam Florestan Fernandes, José Genoíno, Plínio de Arruda Sampaio, Roberto Campos, Delfim Neto, Jarbas Passarinho, dentre outras estrelas de primeira grandeza. Ao longo desses trinta anos, tive a oportunidade de vivenciar, na prática diária do Direito e da Política, o desenvolvimento constitucional brasileiro. Eleito vereador no mesmo ano em que me tornei advogado, sou em parte testemunha, em parte, muito modestamente, protagonista dos avanços que o país experimentou a partir do seu novo marco jurídico, cercado, no parto, das esperanças de que dias melhores viriam, e que em boa medida vieram, de fato. Nos moldes do novo desenho constitucional, sobrevivemos ao primeiro impeachment, em que o presidente Collor fora diretamente acusado de envolvimento em ato de corrupção, e experimentamos importantes conquistas sociais, econômicas e políticas. Depois de um golpe na poupança, confiscada pelo presidente afastado, instituímos uma nova moeda e controlamos o monstro insaciável da inflação. Seguiu-se a eleição do primeiro operário presidente da República e, com ele, trinta milhões de brasileiros antes condenados a morrer de fome ou à exclusão social, souberam o que é ter um mínimo de dignidade e puderam desfrutar de um inédito processo em massa de inclusão e ascensão social. Direitos foram ampliados, salários e benefícios previdenciários valorizados, empregos criados aos milhões. O Brasil ganhou respeito no cenário internacional. O operário foi reeleito, elegeu e reelegeu a primeira mulher a ocupar a presidência da República. Com ela, chegamos ao final de 2014 em situação de pleno emprego, com índices irrisórios de desocupação, abaixo dos 5%. Mas, com a reeleição da presidenta, aflorou o ódio de uma casta insatisfeita com a presença dos da senzala na sala de controle da casa grande, ingrediente que se somou ao recalque de um narcocandidato das elites que não soube digerir a derrota e fez juras de vingança e morte à eleita. Em meio a essa combinação explosiva, ascendeu o hoje presidiário Eduardo Cunha, a par do mais conservador, reacionário e corrupto conjunto de parlamentares jamais visto na História do Brasil. Com as pautas-bomba de Cunha e a execução da promessa de sangria de Aécio e seus aliados, inviabilizou-se o governo Dilma até o ponto de tirá-la do governo sob falsa acusação de crime de responsabilidade, por conta de mal explicadas “pedaladas fiscais”. Executou-se o golpe, enfim, que se desenhava desde as “jornadas de junho”; aliás, desde o “mensalão”, em que líderes políticos progressistas foram condenados sem provas, na esteira de uma tal “teoria do domínio do fato”. Esse processo de esgarçamento dos direitos assegurados pela Constituição Federal alcançou seu clímax recentemente, com a condenação de um ex-presidente da República também sem crime e sem prova, igualmente sustentado, de maneira envergonhada, enrustida, na mesma teoria que nem contra os nazistas ousou-se aplicar, com a clara intenção de alijá-lo da disputa presidencial deste ano. Três desembargadores que poderiam ter posto um fim a esse propósito da classe dominante de alijar do processo político o ousado representante das camadas populares preferiram cumprir o papel que lhes foi destinado pela elite e, num julgamento patético que fez corar o mais distraído aluno do primeiro ano de Direito, mantiveram a sentença e ampliaram a pena para Lula. Tudo sob o olhar complacente e conivente de um acovardado supremo tribunal federal, “guardião da Constituição”, indigno, no entanto, de ter seu nome escrito com iniciais maiúsculas. Em 29 de fevereiro deste ano eu deveria estar comemorando meus trinta anos de carreira profissional. Imaginava fazê-lo em melhor condição. A riqueza não veio e me comeram até o dia da comemoração. Há três décadas, como diria Drummond, um anjo torto deve ter-me dito “vai, Luís, ser um advogado bissexto na vida”. Só não imaginei que ao fim e ao cabo desse longo espaço de tempo eu viesse a concluir um artigo pedindo – como o jogador que marca três gols num mesmo jogo e pede música no programa dominical da TV – um réquiem para nossa Constituição Federal, falecida, coitada, antes mesmo de chegar aos trinta. Som na caixa, maestro! (Publicada originariamente em 3 de março de 2018 em minha página Crônicas & Agudas, no Facebook)
Conheça esta minha Casa Literária Compre meu livro!!!Meu primeiro livro impresso, “O Onomaturgo e Outras Histórias”, está à venda nos seguintes endereços: * no portal da editora Rua do Sabão * nas livrarias: Livraria da Travessa, Livraria da Vila, Martins Fontes da Paulista * nos portais Amazon, Estante Virtual, Quatro Cinco Um, Magazine Luíza, Rama Livros, Mercado Livre Ah, sim! E também, enquanto houver em estoque, diretamente comigo (envie mensagem para meu endereço laalbiero@yahoo.com.br). Falo sobre o livro nesta crônica: “Entrevista sobre o meu livro”. Grato, um abraço forte, sinta-se em casa e volte sempre. Muito obrigado por ser assinante da minha Casa Literária. Para mim, tem sido uma experiência valiosa. Espero que para você também! Considere a possibilidade de ser mais atuante na Casa. Curta os textos de que gostar, comente-os, compartilhe. Sua opinião será sempre bem-vinda e muito importante para meu aperfeiçoamento. |
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Entre e sinta-se em Casa
Prezado amigo, prezada amiga.
Criei minha “Casa Literária” como um espaço destinado a abrigar, de forma ordenada, minha produção no âmbito da literatura. Migrei para ela tudo o que estava esparso pelo Facebook, nos meus vários blogues e na plataforma Circle, primeira tentativa de organizar uma “Casa”. Optei por fixá-la no Substack.
Nela, reúno meus artigos, minhas crônicas, meus poemas, os meus contos mais recentes (os antigos estão no livro “O Onomaturgo e Outras Histórias”, que lancei pela editora "Rua do Sabão” em 19 de julho de 2025 — dia em que, como venho dizendo desde então, “nasci” como autor — veja abaixo onde e como adquiri-lo) e impressões variadas e dispersas, como mais um especialista-em-tudo que sou e, como tal, ansioso por dar palpite sobre qualquer coisa.
A criação literária é, a princípio, um ato solitário, egoístico, um tanto narcísico. Eu começo a escrever, primeiramente, para dar vazão a uma pulsão íntima, um desejo somente meu, incontrolável. Eis a face e a fase egoísta da escrita.
Em seguida, quase sempre sem ao menos esperar pelo sétimo dia, cuidado que teve Deus ao criar o mundo, dou a obra por boa e acabada e, a partir desse meu juízo, sinto que está à altura de ser lida pelos outros — ou seja, por todos os demais que, por óbvio, não sejam eu mesmo. Aqui, o aspecto narcísico. Acredito-me tão bom no que faço que me acho digno de ser lido por outros.
O que me contém, por vezes, é a sensação de que o que tenho a dizer, e que o digo por intermédio dos meus textos, será apenas mais uma voz na multidão. Que diferença fará, para a Humanidade, para o público leitor, para minha bolha de amigos, o meu rasteiro pensamento? Ainda assim, o Narciso que vive dentro de mim fala mais alto e se impõe.
Postas tais considerações, chamo a sua atenção para outros aspectos do ato de escrever e da produção literária.
Primeiro, por mais egoística e narcísica que seja a criação, o autor sempre reserva, ou pode reservar, quiçá deva, um espaço indelimitável para a imaginação do leitor. Assim é, ou deve ser, em todos os textos, de qualquer gênero, em especial nos contos, pelos quais sou apaixonado. O leitor há de ser parceiro na obra, numa espécie de coautoria que vá além da mera participação (ler, em si mesmo, é ato participativo do crime de escrever).
Outro aspecto relevante é a importância que um texto possa ter no ambiente social, por suas motivações político-ideológicas. Não me atenho às motivações partidárias; refiro-me ao conjunto de ideias de cunhos social, político e ideológico. A produção do escritor solitário, egoísta, narcisista, adquire, ou há de adquirir, uma dimensão social. Ganha relevância, então, o que o direito consideraria “função social” da escrita literária. Di-lo assim do sacrossanto instituto da propriedade, coisa do liberalismo econômico que dirige toda criação jurídica. E, pensando bem, o que é um texto meu senão um bem integrante do conjunto das minhas propriedades? Está aí o direito autoral para não me deixar mentir.
As minhas crônicas têm, sim, um caráter inegavelmente político, que quase sempre chega às raias do partidarismo. Sou partidário desde a juventude, e lá se vão anos, décadas, porque desde cedo tive a compreensão de que toda política pública começa a ser desenvolvida, ou deveria, no laboratório dos partidos políticos. São as minhas “crônicas sanguíneas”, vermelhas, petistas, socialistas, progressistas, que Você pode ler logo ao se acomodar no sofá da “sala”. E se quiser contribuir com a manutenção da “Casa”, pode adquirir meu livro digital na Amazon, “Crônicas & Agudas”, em que reúno algumas delas, ao preço de R$10,00, ou ler gratuitamente no seu Kindle pelo programa Kindle Unlimited.
Chamo também de crônicas, porquanto datadas e com os pés na realidade cotidiana, as “tretas”, os meus diálogos, que de minha parte sempre tentei travar de modo civilizado, nem sempre correspondido, com meus estimados e equivocados contendores bolsonaristas, pelas redes sociais — WhatsApp, Facebook, pelo ex-Twitter, hoje apenas “X”, ou por e-mail. Travei-os durante a triste era trevosa (em verdade, creio que desde o malfadado, mal contado e mal digerido “mensalão”, quando os “bolsomínions” ainda eram chamados, de modo carinhoso, de “coxinhas”), em que se implantou não uma ideologia, porque de ideias não se trata, mas uma defecção, uma anomalia social e política que persiste em nos assombrar como um zumbi, fantasma de um corpo que resiste a ser enterrado. A tais almas equivocadas reservei, na “Casa”, um cômodo a que designei “oratório”, onde estão as “tretas” em formato de crônica. Quase todas estão também reunidas no livro digital (“e-book”, ou ebuque) “Diálogos civilizados com meus bolsomínions de estimação”, que Você pode adquirir na Amazon por significativos R$13,13 ou ler de graça pelo Kindle Unlimited.
Além delas, há as crônicas personalíssimas, digamos assim, em que discorro sobre acontecimentos de minha vida privada, não raro puxados pela memória, que por vezes remontam a priscas eras, ou dou vazão a meus pensamentos, por assim dizer — e me perdoem a pretensão; é só aparência, reconheço —, filosóficos. Essas crônicas, que não contêm viés político-partidário, Você as pode colher no "jardim", logo ao adentrar à “Casa”.
Sei também que meus poemas têm um caráter primitivo, são malmente elaborados, segundo as técnicas ditadas pelo “doutor bom gosto oficial” a que se referia Drummond no poema “Brasil/Tarsila”, que o poeta de Itabira, MG, compôs sobre a pintura de minha célebre conterrânea de Capivari, SP. Não me deixei levar pela arte de Tarsila, mas meus poemas são minha “arte naïf”, desenhada e pintada em forma de palavras sobre palavras, construção precária a que ouso chamar de versos. Enfim, Você poderá lê-los e deles se embriagar no “bar do bardo”, o bar da “Casa” em que se pode beber à vontade, sem moderação
Há os contos, arte em que sou igualmente aprendiz, um tanto mais dedicado do que como poeta — se é que tenho direito a me arrogar tal condição. Estão na “biblioteca” da “Casa”. A quem quiser ajudar a manter esta “Casa”, há a possibilidade de adquirir contos individualmente, disponíveis em formato digital na Amazon (Ceia de Natal, Anela e Cainã, o telecobrador, cada um a R$2,00; Estertores de um desertor e A inclusão de Terêncio, a R$1,99, ou lê-los no seu Kindle de graça pelo Kindle Unlimited).
E ando-me arriscando a conceber um romance. Um, apenas, não; logo três ou quatro, que venho escrevendo simultaneamente. Leitor caótico que sou, não poderia, por evidente, deixar de ser caótico também como escritor. Do mais avançado Você pode sentir o cheirinho vindo do forno ao entrar na “cozinha” da “Casa”. Como ainda está em preparação, o resultado final poderá trazer diferenças em relação ao que está disponível neste momento.
Enfim, todo esse acervo tem sentido para mim — ou não o teria concebido, ou teria rasgado ou deletado o que escrevi, ou não o teria trazido a público. Atende ao meu egoísmo e estampa meu narcisismo. Mas não faz nenhum sentido manter a “Casa” vazia, sem frequentadores e visitantes que lhe garantam o sopro da vida.
Venho me esforçando, há tempos, para atrair assinantes. Neste momento, já são exatos 911, muitos obtidos a fórceps, aos quais agradeço profundamente pela deferência. As deficiências de minha obra são tantas que, reconheço, têm impedido que meus poucos leitores, se de fato leitores tenho, deixem suas curtidas; mais ainda, seus comentários e, muito além destes, os compartilhamentos altamente desejáveis, para espalhamento da “Casa”. Agradeço, em especial, aos heroicos que se dedicaram a tão penosa empresa.
Prosseguindo nesse esforço é que me dirijo a Você, para reiterar o meu pedido para que acesse regularmente esta minha “Casa”. É inteiramente grátis e assim será por longo tempo, presumo; e gratuito será também o envio, por e-mail, dos meus boletins informativos (as tais “niusléteres”, como esta que Você está a ler neste momento) contando-lhe as novidades deste meu espaço literário.
Você está recebendo esta mensagem porque já é assinante. Peço-lhe, por conta da amizade entre nós estabelecida, que promova este espaço literário entre seus amigos e, de olho no funcionamento dos algoritmos, deixe uma curtida nos textos que mais lhe agradarem, um comentário, ainda que seja para espezinhá-los, e, sobretudo, que os compartilhe em suas redes sociais. São gestos singelos de generosidade que farão um bem enorme ao espalhamento desta minha publicação, pelos quais desde já lhe agradeço.
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Os pés de chinelo
Compre meu livro!!!
Meu primeiro livro impresso, “O Onomaturgo e Outras Histórias”, está à venda nos seguintes endereços:
* no portal da editora Rua do Sabão
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* nos portais Amazon, Estante Virtual, Quatro Cinco Um, Magazine Luíza, Rama Livros, Mercado Livre
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Falo sobre o livro nesta crônica: “Entrevista sobre o meu livro”.
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