17/05/2026

Um dia de Zé Ruela

(Relato de um fato real)

Fui a Taubaté apenas para retirar o resultado de um exame numa clínica local.  Foi minha segunda ida à terra de Monteiro Lobato, Amácio Mazzaroppi e Hebe Camargo. Na primeira, fui para fazer o exame. Meu filho foi comigo. Desta vez, Luciana quis conhecer a cidade. 

Ao retirar o carro para sair do estacionamento da clínica, a proteção do kart se soltou e foi raspando no chão durante a ré.

Passei numa oficina para pedir um socorro -- fixar a peça ou só retirá-la para na segunda-feira eu levar o carro à concessionária. Um funcionário, rapaz muito simpático e gentil, prontificou-se a fazer o necessário. 

Estava numa loja de revenda de pneus, Muniz, uma grande rede com 220 lojas em diversas cidades. 

Ele elevou o carro e nos pediu que aguardássemos na sala de espera.

Algum tempo depois ele me chamou, mostrou que tinha retirado a roda direita para poder fixar o protetor e que tinha percebido um barulho estranho no eixo entre a roda e uma tal triseta. Mencionou a triseta, a tulipa, coisas que não faço ideia do que são e para que servem.

Disse que seria necessário trocar os eixos ou eu poderia ter problema durante o uso do automóvel, que poderia ser logo, saindo da loja, ou demorar algum tempo. Que precisava trocar a triseta, a tulipa e outros componentes próximos. Que era assim mesmo, por se tratar de carro automático (Toyota Yaris).

Pedi para orçar, R$1.800,00 à vista. 

Torci o nariz, mas ponderei, calculei possíveis riscos, o medo de ficar na estrada, e caí na besteira de aprovar.

Enquanto ele fazia o serviço,  fomos a um restaurante próximo para almoçar. 

Ao final, voltamos à oficina e para nossa surpresa o rapaz alegou ter encontrado outro defeito, agora no sistema de rolamentos, que era necessário reparar os eixos esquerdo e direito. 

E disse que já havia trocado as peças, compradas de um fornecedor próximo, mostrou umas engrenagens mergulhadas numa bacia com óleo e mencionou que era para ter mais óleo de câmbio do que aquela quantia que ele me mostrava.

Eu, claro, fiquei indignado por ele ter mexido sem prévia consulta, e ele já tinha pronto o orçamento dividido em 15 parcelas de quase 600 reais -- R$9 mil!

Perguntei pelo valor à vista, R$5.500,00,

Perguntei se poderia desfazer a troca e me deixar o carro na rua, para que eu acionasse o seguro ou contratasse um guincho, mas ponderei que o seguro poderia recusar, por não se tratar de acidente (confesso que nunca me lembro das coberturas do seguro).

Enfim, optei por negociar, propus 5 mil à vista, o rapaz aceitou prontamente. 

Propus porque eles não me davam alternativa, haja vista que o primeiro serviço já estava pronto e o segundo demandava reinstalar engrenagens que ele dizia estar comprometidas.

Mas saí de lá com a dolorosa sensação de quem acabara de ter sido feito de otário. Um Zé Ruela entre ruelas, porcas e rolamentos que não sei se são verdadeiros ou falsos, se são originais, se de boa ou má qualidade, se as peças retiradas eram mesmo as do meu carro ou outras, se estavam mesmo com defeito e oferecendo riscos...

Detalhe: eu levei o carro à revisão recentemente, em 11 de março! E fiz a revisão na concessionária Toyota, o que já me havia custado R$3.600,00. Não percebi nenhum problema no carro desde então. 

O fato concreto é que fui a Taubaté apenas para retirar o resultado de um exame, que eu poderia ter-me contentado com a disponibilização pela Internet ou aguardado que Douglas, um colega de trabalho  que lá reside, pegasse e trouxesse para mim, e que, muito solícito, já havia topado me fazer esse favor. Voltei com um desfalque de cinco mil reais no meu patrimônio financeiro. E uma colônia de cinco mil pulgas atrás da orelha.

O Zé Ruela aqui merece!

PS.: como disse minha esposa, o "médico" me abriu a barriga, disse que para fechá-la custaria 5 mil reais e me perguntou se eu pagaria o preço ou se iria embora assim mesmo, de barriga aberta...