Criadores de casos #25Fui ao perfil de um desses "robozos" (robôs do Bozo) que, com a proximidade das eleições, voltaram a infestar as redes sociais, e lá me deparei com a postagem da imagem. Deixei o comentário que segue.É fato que o presidente Lula acorda toda manhã, por volta das 5h, dá um beijinho em Janja, que continua dormindo, levanta-se, faz seus exercícios físicos, brinca com os cachorros e engole uma xícara de café preto. Sem tempo a perder, deixa o palácio e, solitário, caminha em passadas largas até o STF. Os seguranças que lutem para alcançá-lo. No prédio da Supremo Corte encontra os onze ministros, todos metidos em seus uniformes de Batman. São os heróis da nação reunidos na Liga da Justiça. Lula chega, soberano. Para na porta da Sala da Justiça, olha para o time reunido em torno de uma imensa mesa ("são onze", pensa; "daria para bater uma bola, mas falta o ‘onze’ adversário"). Olha-os nos olhos, um a um. Todos então se ajoelham e assim ficam por um minuto — sessenta segundos cravados, conferidos rigorosamente por Gilmar Mendes, o decano, que mantém os lábios contraídos enquanto o tempo passa. O ministro relator, BatXandão, lê a pauta, uma lista das propostas de maldades a fazer no dia que está só começando. Afinal, como denunciou o sagaz internauta autor da postagem, eles precisam “todo dia criar um caso novo para jogar na imprensa para distrair e tirar do foco do povo tudo o que eles estão fazendo na surdina”. Antes de ele sair, todos se prostram novamente em respeitosa genuflexão ao clone de plantão. Ao se levantarem, sessenta segundos cravados depois, lhe desejam "boa tarde, presidente Lula!" O coro vespertino é puxado por Cármen Lúcia, que desse modo revive os tempos em que comandava as rezas de terço no interior de Minas Gerais, e repetido outra dúzia de vezes. Dias Toffoli, agradecido e acabrunhado, acompanha até a porta o presidente, que sai carregando consigo a papeleta em que anotou a tarefa que, em cada dia, haverá de turvar a visão do povo. À noitinha, após passarem o dia inteiro julgando e trocando farpas e piadas entre si, todos vão em fila indiana, com as togas esvoaçando como se de fato flanassem, até a frente do Palácio onde o presidente encerra seu expediente. Por ter familiaridade com o local, Cristiano Zanin lidera o grupo. Ajoelham-se novamente por um minuto e, agora puxados por Nunes Marques — traidor dos patriotas, dizem estes —, encerram a jornada desejando, sempre em uníssono, sempre treze vezes, "boa noite, presidente Lula!" André Mendonça, como nas demais ocasiões, acompanha o relator e demais colegas expressando-se em línguas estranhas. O sósia da hora nem se dá ao trabalho de dar uma espiadinha pela janela. “Mal-agradecido”, balbucia Édson Fachim, que segue a turma e vai embora desapontado. Todo dia. Muito obrigado por ser assinante da minha Casa Literária. Para mim, tem sido uma experiência valiosa. Espero que para você também! Considere a possibilidade de ser mais atuante na Casa. Curta os textos de que gostar, comente-os, compartilhe. Sua opinião será sempre bem-vinda e muito importante para meu aperfeiçoamento. |
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30/04/2025
Criadores de casos #25
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