Crônicas e Agudas

Coletânea de crônicas e contos.

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25/05/2025

O Inabalável Jota

 Jota não estava em seu gabinete quando o telefone tocou. A secretária atendeu e a notícia era grave: a mãe do poderoso chefão havia falecido. 

Sem pestanejar, Marta ligou para o celular do chefe. A ligação foi atendida por um dos seguranças. “Ele está no mar, andando de jet-ski”, respondeu Merci, um policial destacado para a atividade.

“É urgente”, insistiu Marta, passando os dedos por entre seus longos cabelos amendoados que lhe escorriam pelos ombros. Transmitiu a notícia em palavras atropeladas. “Vou ver o que posso fazer”, avisou o outro.

Merci pegou um jet-ski e foi ao encontro de Jota. Ao se aproximar, deu sinais para que parasse e o ouvisse, mas o chefe estava muito feliz com o passeio, nada poderia interrompê-lo. Merci gritava é urgente, sem que Jota o escutasse.

Demorou até que, enfim, Jota parou.

— Que foi, Paraíba? Que que ‘tá acontecendo? Morreu a mãe de alguém?

— Isso mesmo, senhor.

— Vai me dizer que morreu a mãe do Trump. 

— Não exatamente…

— Menos mal. Eu ficaria muito sentido se fosse a mãe do Trump. Qualquer outra, eu não teria o mesmo sentimento — disse, lançando uma risada engasgada, expondo os dentes cerrados, a meia boca esticada em direção às orelhas.

— Gosto muito do cara, ‘cê sabe — completou Jota.

Ambos retornaram com os jet-skis até se reunirem em chão firme.

— E então, morreu a mãe de quem? Do português da piada? Hahaha! Conhece a piada do português que veio para o Brasil? Não conhece? Vou contar, então. Ele deixou em Portugal um gato para ser cuidado pelo amigo Manoel. Hahaha. 

— Senhor… — tentou interromper Merci, sisudo.

— Calma, rapaz! Por que a pressa? Por acaso foi sua mãe que morreu? Se foi, pode ir embora, está liberado por hoje — disse, escarcalhando novamente. 

— Não, não foi...

Jota o interrompeu e prosseguiu:

— Então. O português veio pro Rio de Janeiro, ‘tava lá de boa curtindo uma praia, tomando uma caipirinha, mulherada em volta… Hahaha! De repente, toca o celular. Era Manoel. Joaquim! Teu gato morreu! Hahaha.

Jota enrijeceu a musculatura facial, travou o riso e alçou as sobrancelhas, à espera de uma reação do segurança, que não veio. Continuou: 

— O português desmaiou, foi levado pro hospital. Quando se recuperou, ligou pro compadre e deu-lhe uma bronca. Quase me matas, ó Menuele! 

Jota fez um movimento com o corpo como se mudasse de personagem, a mão à orelha, em concha. 

— Mas como eu deveria ter dado a notícia?, perguntou Manoel. Hahaha! 

Fez outro movimento com o corpo e mudou a mão de orelha:

— Ora, devias ter me preparado para a má notícia. Primeiro, tu me dizias, Joaquim, teu gato subiu no telhado. Um tempo depois, me avisavas que o gato caiu do telhado. Por fim, eu já com o espírito preparado, aí sim tu me contavas a fatalidade!

Jota olhou fixamente para Merci, esperando arrancar-lhe uma risada, uma expressão de surpresa, que de novo não se apresentou. Sem perder o ânimo, retomou a contação:

— Manoel então disse que havia compreendido e, tudo bem, aquilo não aconteceria mais, e Joaquim voltou à praia. ‘Tava lá tomando uma cervejinha, comendo um camarãozinho e coisa e tal, quando, de repente, toca o celular. De novo, era Manoel. Hahaha! 

Jota levou a mão mais uma vez ao ouvido:

— Ó, Joaquim! Tua mãe subiu no telhado! — e desabou em nova gargalhada.

Merci permaneceu impassível, confrangido. 

— Ô, Paraíba! Não achou graça? Ria, rapaz! Ô sujeito mal-humorado.

O segurança mal foi capaz de esboçar um sorriso contido. Já não sabia como dar a notícia. Sentiu-se tomado por um desejo mórbido de dizer senhor, quem subiu no telhado foi a sua mãe, mas o só pensar nessa possibilidade lhe causou o desconforto de um profundo remorso.

— Desembucha, rapaz! Fala aí, a mãe de quem morreu? Vai dizer que, por coincidência, foi a mãe do Joaquim? — e gargalhou com mais intensidade.

— Quase isso — deixou escapar Merci e se arrependeu imediatamente.

— Como assim, quase isso, oxente? — repetiu Jota, imitando-lhe o sotaque e debochando do auxiliar.

— Sua mãe, senhor. Sua mãe, infelizmente, ela… faleceu. Marta acabou de telefonar. Meus sentimentos.

O semblante de Jota alterou-se com vagar, do meio sorriso de dentes cerrados para uma fisionomia fechada, quase de surpresa. Lançou um olhar severo para Merci, desvencilhou-se da boia que ainda envolvia seu corpo e perguntou:

— Por que não me disse logo?

Merci preferiu não responder.

— Quando foi?

— Hoje. Talvez ontem, Marta não soube dizer. Ligaram há pouco do asilo.

Jota voltou para o hotel. Foi de helicóptero para a pequena cidade onde a mãe passara toda a vida. A aeronave pousou num descampado próximo do cemitério em que o corpo era velado. Tomaram o automóvel que já os esperava e rumaram para o velório.

— Vamos lá, Paraíba — disse Jota ao descer do veículo, ajeitando seus óculos escuros e alisando os cabelos. Merci fez o mesmo com os próprios óculos, deu batidas no terno, puxou-o para baixo a esticá-lo, ajeitou a gravata de listras verdes e pretas e seguiu o chefe.

O modesto edifício compunha-se de um amplo salão de entrada, uma pequena cozinha, dois banheiros, e se dividia em três câmaras desprovidas de janelas. Duas delas estavam vazias. Misturavam-se no ar aromas de café e chá de capim-limão. Jota caminhou até onde era velado o corpo da mãe. 

Merci e os outros dois seguranças mantiveram-se em seu entorno, o que despertava curiosidades e burburinhos entre os presentes. Poucas eram as pessoas no local. A falecida era bem avançada em anos, beirava o centenário; havia décadas que residia num asilo, onde o filho a visitara duas ou três vezes.

Perpedina, irmã caçula da defunta, observou o sobrinho caminhar com dificuldade, as pernas abertas como um montador de animais, o abdômen imenso, a cara amarrada que há vários anos acostumara-se a só ver pelo noticiário da TV e redes sociais. Acompanhou-o com o olhar desde que ele cruzou o portal de entrada até se posicionar ao lado do esquife, próximo da cabeça da genitora. Jota não chorou. A tia reparou quando ele, decerto em gesto de reverência, como se tirasse um chapéu da cabeça, retirou os óculos de sol e os segurou às costas. Notou quando ele fixou seus olhos no cadáver da mãe, sem que o tocasse. Nenhuma lágrima deixou escapar, nenhum fio de sangue avermelhou sua esclera. O cheiro das velas a queimar havia sobreposto os de café e capim-limão da entrada. 

Assim permaneceu Jota por cerca de meia hora, até que um homem alto, de meia idade, esguio e vesgo, metido num surrado terno preto de microfibra, a camisa branca amarelecida sobre a qual jazia uma gravata vermelha descorada pelo uso, pediu licença para colocar a tampa sobre o caixão. 

A irmã solicitou que antes pudesse fazer uma oração e assim lhe foi permitido. Ainda incomodada com a ausência de reação do sobrinho, Perpedina puxou três ave-marias e um pai-nosso. Notou que Jota não acompanhou a reza e não moveu um único músculo da face. 

— E levai as almas todas para o céu. Em nome do Pai, do Filho… — rezou Perpedina, acompanhada por quase ninguém. 

Terminada a encomendação do corpo feita de improviso, que mal durou dez minutos, o homem vesgo da funerária reaproximou-se e girou com firmeza um a um os parafusos dourados da urna mortuária. Certificou-se de que o serviço fora executado com perfeição, de modo a garantir a segurança necessária, recolheu as coroas de flores, uma delas ofertada pela própria agência funerária, a outra providenciada pela diligente Marta. Caminhou em direção à saída do prédio, diante do qual estava parado o veículo fúnebre. Abriu-lhe a porta traseira e deu sinal aos presentes de que já poderiam carregar o ataúde até ali. 

Embora fossem necessários seis carregadores, apenas cinco homens se apresentaram. Três eram Merci e seus colegas da segurança; os demais, um sobrinho mais velho do que Jota, com ar cansado, a quem o primo cumprimentara a distância, apenas por troca de olhares, e Pérez, um estrangeiro bastante idoso que residia no mesmo asilo da falecida. Viera a pé, sozinho, pois o asilo ficava a menos de dez quadras dali. Costumava dizer que o albergue onde vivia era um passo anterior ao cemitério. Não poderia faltar ao adeus derradeiro à amiga. 

Todos a postos, faltava um sexto braço forte e os olhares se voltaram para Jota, que se manteve impassível. Não havia outro homem no interior da câmara-ardente. Só quando tia Perpedina, expondo as dificuldades da idade avançada, se apresentou para carregar o caixão foi que ele, num ato semelhante ao de generosidade, sussurrou-lhe:

— Pode deixar, tia. Eu levo.

Caminharam uns poucos metros até o veículo, dentro do qual depositaram o caixão. O agente funerário fechou a porta traseira e conduziu lentamente o automóvel, acompanhado pelos presentes, que o seguiam a pé. 

O portão de entrada do cemitério ficava a uns cem metros do espaço destinado ao velório. Ao longo do trajeto, Jota perguntou ao segurança:

— Paraíba, que dia é hoje?

— Sexta-feira — respondeu Merci. 

— ‘Tô perguntando número, Paraíba. Que é sexta-feira eu sei. Sextou! — disse, contendo um riso inoportuno.

Merci respondeu que era 22.

— Olhe a placa do carro. Termina com 22. É um sinal.

O segurança não entendeu, tampouco perguntou a que sinal o chefe se referia. 

O veículo adentrou o cemitério, seguindo o tempo todo em velocidade que pudesse ser acompanhado pelos poucos que o seguiam, e parou a dez metros da sepultura.

O caixão foi baixado pelos funcionários do cemitério. Retiradas as cordas, eles cobriram a cova com placas de concreto, que vedaram com argamassa já preparada. Ninguém lançou flores sobre o ataúde. Em seguida, passaram a assentar alguns tijolos até vedar completamente o sepulcro. 

O agente funerário depositou as duas coroas sobre o jazigo. Seu olho direito insistia em olhar para o chão. Cumprimentou os que ali permaneciam e partiu. 

Só Perpedina chorava, com discrição. Jota ficou até que o último tijolo fosse assentado, sem dizer palavra. A tia o convidou para tomar um café em casa, mas ele recusou. Alegou falta de tempo, compromissos inadiáveis, sem contar que o café lhe provocava azia, do que resultava terrivel dor no estômago. Não se lembrou de perguntar à tia como tem passado. Ela o abraçou e se despediram.

Jota e os seguranças iniciaram o caminho de regresso. Os rapazes se distraíam lendo os epitáfios, maravilhados com a antiguidade de muitos dos jazigos. Algumas lápides registravam a chegada de imigrantes alemães e italianos à cidade no final do século XIX. Outras exibiam homenagens de filhos aos pais, de esposas aos maridos. Estátuas de anjo sobrepunham-se a sepulturas de caprichada construção em que se liam as datas de nascimento e morte de crianças, a maioria em tenra idade, ao lado dos nomes. Pérez vinha atrás, solitário em seu difícil caminhar.

— Você viu o número da sepultura, Paraíba? — indagou Jota, referindo-se ao sepulcro da mãe.

— Não, senhor.

— 22. Mais um sinal. 

Merci, de novo, nada disse. Não conhecera a mãe de Jota, mas trazia os olhos vermelhos e uma lágrima triste escorria-lhe pelas faces suadas, coradas pelo sol que se exibia pleno. Pensava na velha, na gelidez de seu rosto inerte, extinto; olhava para Pérez, cada vez mais distante, desaparecendo no declive, e refletia sobre o custo de uma amizade.

O automóvel os esperava à porta do cemitério. Jota sentou-se no banco ao lado do motorista e ordenou:

— Toca para uma casa lotérica.

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Postado por Luís Antônio Albiero às 02:50 Nenhum comentário:
Marcadores: #conto, morte, sorte, vida

30/04/2025

Criadores de casos #25

Fui ao perfil de um desses "robozos" (robôs do Bozo) que, com a proximidade das eleições, voltaram a infestar as redes sociais, e lá me deparei com a postagem da imagem. Deixei o comentário que segue.
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Criadores de casos #25

Fui ao perfil de um desses "robozos" (robôs do Bozo) que, com a proximidade das eleições, voltaram a infestar as redes sociais, e lá me deparei com a postagem da imagem. Deixei o comentário que segue.

Luís Antônio Albiero
abr 30, 2025
 
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É fato que o presidente Lula acorda toda manhã, por volta das 5h, dá um beijinho em Janja, que continua dormindo, levanta-se, faz seus exercícios físicos, brinca com os cachorros e engole uma xícara de café preto. Sem tempo a perder, deixa o palácio e, solitário, caminha em passadas largas até o STF. Os seguranças que lutem para alcançá-lo.

No prédio da Supremo Corte encontra os onze ministros, todos metidos em seus uniformes de Batman. São os heróis da nação reunidos na Liga da Justiça.

Alexandre de Moraes é o relator permanente dessas reuniões matinais diárias. É ele que prepara a pauta, o que causa certa inveja em Luís Roberto Barroso, que, afinal, é o presidente da Corte e se sente desprestigiado.

Lula chega, soberano. Para na porta da Sala da Justiça, olha para o time reunido em torno de uma imensa mesa ("são onze", pensa; "daria para bater uma bola, mas falta o ‘onze’ adversário"). Olha-os nos olhos, um a um. Todos então se ajoelham e assim ficam por um minuto — sessenta segundos cravados, conferidos rigorosamente por Gilmar Mendes, o decano, que mantém os lábios contraídos enquanto o tempo passa.

Levantam-se e, em coro, lhe dizem "bom dia, presidente Lula!", treze vezes. Luiz Fux não destoa, mata no peito. Flávio Dino pensa numa tirada espirituosa, mas se contém, atento ao decoro.

Lula, sempre mal-humorado (na verdade, já nem mais é ele, pois, como todos sabem, o verdadeiro foi abduzido por extraterrestres salvadores da pátria, que prontamente atenderam aos apelos dos patriotas antes das eleições de 2022 e, desde então, o petista foi substituído por cinco sósias que se revezam no papel. Todos são clones produzidos pelo governo de Israel com tecnologia importada de Marte por Elon Musk e desenvolvida pelos reptilianos da Tesla).

BatXandão combina com um dos clones de Lula qual será o caso do dia. Foto: reprodução/STF

O ministro relator, BatXandão, lê a pauta, uma lista das propostas de maldades a fazer no dia que está só começando. Afinal, como denunciou o sagaz internauta autor da postagem, eles precisam “todo dia criar um caso novo para jogar na imprensa para distrair e tirar do foco do povo tudo o que eles estão fazendo na surdina”.

A reunião sempre acaba se estendendo para além da hora do almoço, pois cada ministro expõe seu voto em defesa de sua proposta. Lula — o clone da hora — examina-as todas, uma por uma. Ouve atentamente os longos, rebuscados e intermináveis votos, escolhe uma delas, no máximo duas, e se retira sem trocar palavra com os ministros.

Antes de ele sair, todos se prostram novamente em respeitosa genuflexão ao clone de plantão. Ao se levantarem, sessenta segundos cravados depois, lhe desejam "boa tarde, presidente Lula!"

O coro vespertino é puxado por Cármen Lúcia, que desse modo revive os tempos em que comandava as rezas de terço no interior de Minas Gerais, e repetido outra dúzia de vezes. Dias Toffoli, agradecido e acabrunhado, acompanha até a porta o presidente, que sai carregando consigo a papeleta em que anotou a tarefa que, em cada dia, haverá de turvar a visão do povo.

À noitinha, após passarem o dia inteiro julgando e trocando farpas e piadas entre si, todos vão em fila indiana, com as togas esvoaçando como se de fato flanassem, até a frente do Palácio onde o presidente encerra seu expediente. Por ter familiaridade com o local, Cristiano Zanin lidera o grupo.

Ajoelham-se novamente por um minuto e, agora puxados por Nunes Marques — traidor dos patriotas, dizem estes —, encerram a jornada desejando, sempre em uníssono, sempre treze vezes, "boa noite, presidente Lula!"

André Mendonça, como nas demais ocasiões, acompanha o relator e demais colegas expressando-se em línguas estranhas. O sósia da hora nem se dá ao trabalho de dar uma espiadinha pela janela. “Mal-agradecido”, balbucia Édson Fachim, que segue a turma e vai embora desapontado. Todo dia.

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Postado por Luís Antônio Albiero às 00:14 Nenhum comentário:

30/03/2025

Sim, foi um grande dia (#20)

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Postado por Luís Antônio Albiero às 10:52 Nenhum comentário:

25/03/2025

Solidariedade cosmética

O salão de beleza fervilhava. Os cabeleireiros, uma moça de trinta e poucos anos e três rapazes mais jovens, esmeravam-se nos cortes e penteados. Cada qual atendia uma cliente, cujos maridos ou namorados esperavam sentados no espaço de entrada do estabelecimento, servindo-se das revistas e dos cafés postos à disposição. Uma seleção de músicas suaves envolvia o ambiente, embora abafada pelo falatório do lugar. Ainda havia três outras senhoras aguardando a vez, acompanhadas dos respectivos parceiros. Era um vozerio ensurdecedor num espaço pequeno, incompatível com o tanto de gente. 

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Na parede, logo acima de um dos grandes espelhos, havia uma frase, decerto com finalidade motivacional: “Uma mulher que corta o cabelo está prestes a mudar sua vida”. Vinha com assinatura da autora, Coco Chanel. 

Reprodução agência Brasil

A decana das clientes era a mais vaidosa. “Começaram a aparecer uns cabelos brancos aqui no meio”, dizia, preocupada. Pablo, o profissional de cabeleira azulada que a atendia, tentou ser agradável:

— Cabelos brancos são raios de sabedoria.

A velhota emendou:

— Cãs não fazem o ancião. Às vezes só revelam pessoas que envelheceram em vão.

— Que chique! Está inspirada hoje, hein! — observou Pablo, mantendo tesoura e pente suspensos sobre a cabeça da senhora.

Acima do espelho defronte o qual se encontravam, havia a frase “Seu cabelo é o vestido de festa que você nunca tira. Jo Robertson”.

— Os canalhas também envelhecem. Rui Barbosa — gritou do local de espera o marido, ele mesmo já avançado em anos, com a sapiência empírica de quem fala do que bem conhece.

— É uma frase budista, querido! — explicou a esposa em relação à que ela mesma havia citado.

— Aaaah, Budaaá! A-mô! — extasiou-se Hanri, o cabeleireiro de bochechas róseas e tatuagens que lhe cobriam braços e pescoço.

— Pinto os cabelos de preto para os encontros amorosos e de branco para as reuniões de negócios. Aristóteles — retrucou o idoso, em tom de galhofa, expressando ares de safadeza.

— Aristóteles? — estranhou o mais jovem dos cabeleireiros, um rapazola geralmente calado. Era o único cujo espelho não ostentava frase alguma. Em sua mesa de apoio, havia um modesto porta-retrato com a imagem de Sócrates, o filósofo, no qual ninguém jamais houvera prestado atenção.

— Aristóteles Onassis. Um milionário grego. Foi marido de Jackie, viúva de John Kennedy, presidente dos Estados Unidos assassinado em 63. Século XX. Esta juventude não sabe de nada, não conhece a História — resmungou o colecionador de frases de ocasião.

A cabeleireira estava cansada. Havia tido um dia intenso, pente para cá, escova para lá, agora a tesoura, e tinta acaju aqui, para esta a cor castanho claro, nesta, chocolate, na outra, louro, e o vozerio incessante, e a filosofia de salão; tudo a entediava. Perdera a conta de quantas cabeças haviam passado por suas mãos ao longo do dia.

Seu corpo exaurido estava no salão, mas suas preocupações continuavam em casa, onde deixara com parentes os dois filhos pequenos adoentados. Terminou às pressas a última tarefa. Mal se despediu dos colegas e da clientela. Ao atravessar a porta, ouviu um “tchau Debby, vá com Deus”. Não reconheceu de quem era a voz e nem se deu ao trabalho de responder. Pablo fez um comentário, como se sussurrasse aos ouvidos da cliente, alto o suficiente para que todos ouvissem:

— Pense numa pessoa distraída!

Embora aflita por causa das crianças, a fé era maior e Débora optou por dar uma passadinha primeiro na igreja, onde faria uma breve oração antes de seguir para casa. Sentia-se em débito com a divindade por conta de seguidas ausências às celebrações, razão provável de os meninos estarem um com bronquite, outro com sarampo. “Deus castiga”, lembrou-se do que lhe dizia a avó, na infância, sempre que se recusava a acompanhá-la nos cultos.

Ao chegar à porta do templo, porém, deparou-se com um intenso movimento de fiéis. Um homem com expressão nenhuma de simpatia organizava a entrada dos devotos e ela seguiu a indicação quando o sujeito lhe disse, irritado, “por aqui, por aqui”.

Débora acabou sendo levada para a parte dos fundos. Acomodou-se numa das poltronas, perdida. A não ser pelas fervorosas orações dos demais, nada ali lembrava a igreja, parecia algo como um ônibus.

— Todos trouxeram suas Bíblias? — perguntou uma moça de camisa branca, mangas compridas e lacinho vermelho escorrendo do pescoço, como uma gravata reduzida. Débora explicou que só queria fazer uma oração antes de voltar para casa, que estava cansada e que não tinha o hábito de levar a Bíblia ao trabalho; sua voz, porém, saiu abafada pelo alarido do entorno. Ainda assim, a moça deve tê-la ouvido, porque lhe atirou ao colo um exemplar barato das sagradas escrituras, uma bandeira nacional, outra de Israel, e virou-lhe as costas.

Os demais seguiam entoando hinos de louvor, num volume estrepitoso, e a moça da Bíblia passou a dizer coisas incompreensíveis, como se falasse numa língua estrangeira. A cabeleireira tentou novamente explicar suas intenções, mas o ônibus havia avançado, já estava numa rodovia movimentada.

Ligou para casa. A bateria do celular, entretanto, não resistiu sequer até que a ligação fosse ao menos atendida. Débora tentou pedir aos demais um aparelho emprestado. Todos estavam tão envolvidos nos cânticos sagrados, alguns em transe, que ninguém lhe deu ouvidos. Levantou-se para sair, mas dois ou três rodopiavam no corredor do coletivo. Resolveu esperar até que cessasse a cantoria. Encostou-se na poltrona para relaxar. O cansaço e o sono a derrotaram.

Horas e horas depois chegaram à capital da República. "Nossa, desmaiei”, disse a si mesma quando acordou, assim que o ônibus parou num local amplo, ao lado de gramados extensos. Por todos os lados havia pessoas vestidas de camisas verde-amarelas, bandeiras nas costas, nos ombros, nas cabeças.

A pessoa que ocupava a poltrona ao lado da janela forçou a saída de Débora, ainda sonolenta, que mais de uma vez perguntou onde estavam. Ninguém lhe respondeu. Saiu do veículo pela força dos empurrões. Ao pôr o pé direito no chão, foi colhida pela procissão que seguia compacta, caminhando em manada e gritando palavras de ordem que ela mal compreendia. Não teve forças para resistir, para tomar outro rumo. Passou-lhe pela cabeça voltar para dentro do ônibus, mas o vento sacudiu-lhe os longos cabelos dourados como se lhe indicasse que o caminho a seguir era mesmo em frente.

Perguntou o que estava ocorrendo a uma senhora toda envolta na bandeira nacional e ela lhe respondeu que “minha bandeira jamais será vermelha”. Dirigiu-se a um rapaz magricela, que ao seu lado simulava marchar à maneira dos militares, carregando uma bandeira em mastro sobre um dos ombros, que lhe disse “abaixo o comunismo“.

À sua direita, outra senhorinha com Bíblia na mão gritava “morte aos corruptos”. O homem ao seu lado bradava “prendam o cabeça de ovo!” Um grupo ostentava uma faixa em que estava escrito “intervenção militar já”. Bandeiras de Israel e dos Estados Unidos espalhavam-se em meio à turba, competindo com a nacional.

Estranhou uma garota solitária de cabelos desgrenhados, vindo na contramão, que segurava um cartaz, “Meu cabelo tem liberdade de expressão. Mafalda”.

“Que loucura isso tudo!”, pensou Débora.

A despeito da fúria visível nas expressões das pessoas, aquela gente toda parecia pacífica, talvez porque contasse com a organização dos próprios policiais que acompanhavam o cortejo e lhe abriam o caminho. Muitos deles tiravam fotos posando sorridentes ao lado dos marchantes. Era um domingo agradável, de sol exposto, sem nuvens no céu, e o povo parecia fazer um passeio coletivo ao parque formado pelas extensas pradarias do entorno e alguns edifícios cujas fachadas a cabeleireira conhecia da televisão.

As horas de sono profundo no ônibus não lhe permitiram os cuidados básicos que toda mulher tem com a própria aparência. Sentia-se suja, suada, mal podia suportar o mau-cheiro que de si exalava. O ofício de cabeleireira, entretanto, ensinara-lhe a não perder a elegância em situação alguma, por adversa que fosse. Lembrou-se da frase que encimava seu grande espelho, no salão, “Se seu cabelo está bem penteado e você usa bons sapatos, consegue se safar de qualquer coisa”. Abriu sua bolsa e do interior retirou um espelho minúsculo, uma escova e um batom.

Caminhou uns cem metros escovando seus cabelos compridos. Tentando concentrar-se na própria imagem refletida pelo espelhinho enquanto andava, acabou empurrada para a frente de uma estátua gigantesca. Foi tão forte o empurrão que projetou o espelho para o alto. Débora perdeu-o de vista e supôs que tivesse sido lançado sobre o colo da escultura, imagem de uma mulher sentada que segurava uma espécie de bastão acomodado sobre a longa saia.

Apoiada nos ombros da multidão ao seu redor, ela subiu e se pôs de cócoras sobre o ventre da estátua. De fato, lá estava o espelho, todo espatifado. A cabeleireira teve uma sensação de derrota e ficou prostrada por uns instantes na barriga da estranha mulher de pedra, pensando, querendo entender tudo o que lhe acontecera nas últimas horas.

Não fazia ideia de onde estava, não reconhecia uma só pessoa no amontoado humano que agora contemplava do alto. Não conseguira fazer contato com os filhos, as pessoas não lhe davam atenção. Sentiu-se perdida, desolada, abandonada em meio à multidão. “Que estupidez, que bobeira eu dei, que ‘mané’ eu fui. Como vim parar aqui?”, torturava-se.

Desistiu de passar o batom em seus lábios. Fixou o olhar sobre a pequena peça cosmética, buscando resposta na ponta chanfrada de cor vermelha, como se olhasse para uma bola de cristal, esforçando-se para compreender como foi que viera do salão de beleza onde trabalhava direto para o colo da estátua esquisita.

Desacorçoada, firmou os dedos sobre o batom, apertando-o, como se quisesse esmagá-lo, como se o culpasse pelo infortúnio. Sem muito raciocinar, deslizou-o pela barriga da estátua, sob os seios pontudos. Tomada por indignação, pelo ódio que sentia de si mesma por ter-se deixado conduzir até ali, rabiscou com força na pedra a frase que sintetizava sua dor: “perdeu mané”.

Disfarçando as lágrimas — odiava chorar em público —, desceu da escultura com ajuda de alguns da multidão. Até foi capaz de sorrir quando percebeu uma infinidade de aparelhos celulares apontados em sua direção. Alguém gritou-lhe: “sua Bíblia, moça!”

Ela apanhou o livro sagrado, que nem era seu, o exemplar antigo de surrada capa preta que a jovem do ônibus lhe houvera dado. É esse livro, entretanto, que hoje a conforta nas horas de solidão na prisão, onde cumpre pena de quatorze anos por ter pichado uma estátua. Não faltaram provas de seu crime, fartamente documentado em fotos e vídeos espalhados pela internet, jornais e telejornais de todo o país e mundo afora.

Dói-lhe a saudade dos filhos, ela chora pela ausência de amigos e demais familiares. Por sorte, Débora tem contado com a inesperada ajuda de pessoas famosas e anônimas, uma espécie de gente que, como numa epifania, viu-se assomada por súbito espírito de solidariedade e que agora, negando a própria história, passou a denunciar tortura nas prisões e a clamar por justiça e direitos humanos.

Distrai-se penteando, escovando, tingindo os cabelos das parceiras de cárcere, mas enfurece-se se alguma lhe pede para fazer-lhe a maquiagem. Débora nunca mais usou batom.

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NOTA: eventuais alterações podem ser feitas a qualquer momento pelo autor na publicação original, aqui.
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16/03/2025

Contribuição a uma proposta de reflexão

 


Minha contribuição à reflexão proposta por Stella Souzz, no texto Seus Deuses, Seus Políticos e Sua Idolatria, no Substack:


Antes de tudo, quero que você esqueça partidos.

Desculpe-me, mas não é possível debater política ignorando partidos. É por meio da organização de pessoas com pensamentos políticos semelhantes ou próximos em associações chamadas partidos que se exerce a política. Nenhum debate sobre política tem chance de ser conduzido à luz pelo caminho enganoso do preconceito. Lembra o lema das fatídicas jornadas de junho: “sem bandeira, sem partido!” (tratei do assunto nesta crônica de agosto de 2013). O sem-partidarismo nos trouxe ao bolsonarismo.


Para continuar lendo, clique aqui.


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Capivari, Jacareí e São José dos Campos (SP), SP, Brazil
Advogado público, ex-vereador em Capivari (SP) por dois mandatos (1989 a 1992 e 2001 a 2004), ambos pelo Partido dos Trabalhadores. Assessor jurídico da Liderança do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo de 2006 a 2013. Assessor especial legislativo da Câmara Municipal de Americana de 2015 a 2016 e procurador de 2017 a 11 de agosto de 2018. Procurador municipal desde 13 de agosto de 2018.
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